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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Conselho Consultivo do Iphan revalida o Fandango Caiçara como Patrimônio Cultural do Brasil

O Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) iniciou a sua 114ª reunião nesta terça-feira (22/09/2026) e o primeiro ponto da pauta foi a proposta de revalidação do título de Patrimônio Imaterial do Fandango Caiçara. 

O Grupo de Fandango Mandicuera na XVI Festa do Fandango Caiçara de Paranaguá, em 2025. 

O processo de revalidação analisou a presente situação da salvaguarda do Bem Cultural, envolvendo técnicos do Iphan e integrantes das comunidades caiçaras dos estados do Paraná, São Paulo e Santa Catarina. 

Para entender melhor o processo de revalidação, a importância do título de Patrimônio Cultural Imaterial, bem como as ações de Salvaguarda do Fandango Caiçara, assista ao vídeo a seguir, com o trecho da reunião do Conselho Consultivo que aprovou a renovação do título. 


O título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil é um reconhecimento oficial concedido a práticas, saberes, celebrações e expressões artísticas que formam a identidade da sociedade brasileira. 

Em fevereiro deste ano (2026), a Assembleia Legislativa do Paraná aprovou em turno único, o Projeto de Lei 508/2025, de autoria da deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT), que reconhece a Festa Nacional do Fandango Caiçara de Paranaguá como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado e a inclui no calendário oficial de eventos.

Falando nisso, a XVII Festa do Fandango Caiçara de Paranaguá está chegando! Será de 27 de outubro a 1° de novembro de 2026 no Centro Histórico da Cidade Mãe do Paraná. Anote aí!

Com informações do Iphan e do Brasil de Fato. 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Acervo da Cultura Caiçara: A Casa do Fandango de Paranaguá que nunca existiu

Um pouco mais de dez anos atrás, em 2015, os Mestres Fandangueiros de Paranaguá e demais integrantes dos grupos de Fandango Caiçara se mobilizaram no intuito de viabilizar a existência de uma Casa do Fandango, que seria um Centro Cultural Caiçara, com espaço para bailes, ensaios, gravações, aulas, construção de instrumentos musicais, etc.

Os debates junto a gestores e gestoras municipais da Cultura apontavam para a necessidade dessa casa ser na Ilha dos Valadares, reduto de todos os grupos de Fandango parnaguaras. Havia quem defendesse que essa Casa ficasse no Centro Histórico de Paranaguá, onde seria mais acessível e teria maior apelo turístico e cultural. O ideal talvez seria que o espaço fosse junto à cabeceira da Passarela que liga a Ilha ao Centro da Cidade.

Naquele período, a Casa Dacheux estava recém-reformada e momentaneamente ociosa, e chegou a ser anunciada como a "Casa do Fandango". A Casa Dacheux fica próxima da Catedral, no mesmo largo em que estão as casas Monsenhor Celso e Brasílio Itiberê, ambas dedicadas à Cultura. Para coroar essa decisão, foi realizado no final de junho de 2015 um baile de Fandango no imóvel (fotos a seguir).

 

Apesar de muito bonita, a Casa tinha limitações de espaço para abrigar o Fandango. A ideia não prosperou e o Fandango continuou sem casa.

Em 2016, familiares do Saudoso Mestre Eugênio, em conjunto com a Associação Mandicuera, reabilitaram a Casa do Fandango Mestre Eugênio, que fica na Ilha dos Valadares. Neste local foram realizados diversos bailes e a casa continua ativa com ensaios de Fandango, da Escola de Samba União da Ilha e outras atividades artísticas e culturais.

 A Casa do Fandango Mestre Eugênio na Ilha dos Valadares - Paranaguá. 

Alguns anos depois, em 2019, a Associação Mandicuera de Cultura popular, que também é sediada na Ilha dos Valadares, conseguiu construir seu próprio salão para bailes e outras atividades culturais. A obra foi viabilizada com recursos da mitigação do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP). Em 2020, o Mestre Aorelio Domingues e demais integrantes da Associação Mandicuera finalizaram o Salão com a instalação de portas e janelas.

Na Sede da Associação Mandicuera também funciona uma oficina para construção dos instrumentos do Fandango e um estúdio de gravação chamado Papagaio Records, em que já foram realizados diversos registros do Grupo Mandicuera e outros. O Grupo de Fandango Dona Mariquinha, composto por Mulheres, e o Grupo Mandicuera têm o local como base.

Atualmente, a Associação Mandicuera é o único local que tem abrigado Bailes de Fandango com regularidade. O Mercado do Café, que recebia pelo menos dois bailes mensais há dez anos, hoje está praticamente ausente da cena local.

Aquela Casa do Fandango, que poderia centralizar e fomentar de forma concentrada as atividades da Cultura Caiçara, nunca chegou a se realizar. Mas o Fandango e a Cultura Caiçara sobrevivem com a força do povo que resiste e não se rende.

Paranaguá e o Litoral do Paraná como um todo abrigam diversos encantos naturais, culinários e, culturais. Reconhecer e investir no Fandango e nas Artes Caiçaras seria estratégico e fundamental para consolidar o Turismo, diminuindo a brutal sazonalidade de verão e criando atrativos que proporcionem circulação de turistas fora da temporada.

Nos últimos anos, o Governo do Estado e as Prefeituras vêm "investindo" dezenas (ou centenas?) de milhões de reais nos megashows musicais nas praias. Por mais que esses eventos atraiam multidões, eles deixam quase nenhum legado que contribua para o desenvolvimento cultural ou econômico.

Enquanto isso, os grupos de Fandango se desdobram competindo por recursos escassos em editais que só crescem em exigências e cobram um nível de profissionalismo da produção cultural que muitos não alcançam e acabam ficando de fora, independente da qualidade artística das suas produções.

Está mais do que na hora dos gestores públicos perceberem que o Fandango Caiçara é um tesouro, já reconhecido como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e esse tesouro tem enorme potencial de geração de emprego, renda, educação e desenvolvimento.

Mais fotos no Facebook e no Instagram do Balanço na Canoa. 

Se alguém tiver fatos a acrescentar ou correções para essa memória, fique à vontade para comentar e corrigir o que possa estar incorreto. 

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Acervo de fotos da Arte e da Cultura Caiçara: Barreado

O Barreado é um dos maiores símbolos da Culinária Caiçara e da identidade cultural do Litoral do Paraná, com séculos de história em conjunto com o Fandango Caiçara.

Essas fotos são de 2015 e 2016, com a Diva Mariana Zanette preparando a panela que fica cozinhando por 24 horas no fogão à lenha.


O áudio é moda de Fandango "Meu Cuitelinho Avoou" na interpretação do Grupo Mandicuera.