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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Acervo da Cultura Caiçara: A Lutheria do Fandango

Quem tem o mínimo de familiaridade com o Fandango Caiçara sabe que os instrumentos musicais são diferentes daqueles usados na grande maioria da música popular ou erudita. A Viola Caiçara, o Machete e o Adulfo são usados quase que exclusivamente no Fandango. A Rabeca e a Caixa também aparecem em outras manifestações; ainda assim, não são fáceis de se encontrar no comércio tradicional de instrumentos musicais.

Por isso, a arte da fabricação desses instrumentos, a chamada Lutheria Caiçara, é tão importante para a Salvaguarda e a sobrevivência do Fandango.

Em 2016 (há 10 anos), eu tive a oportunidade de acompanhar e registrar um grande projeto de Lutheria Caiçara, que resultou na construção de mais de 50 instrumentos musicais do Fandango Caiçara.

Veja a seguir algumas fotos da construção dos instrumentos. No final do vídeo aparecem fotos da conclusão da parte municipal do projeto que resultou numa exposição com fotos feitas por mim (Ivanovick) e instrumentos novos, fabricados pelo projeto. 


O áudio é do Grupo Mandicuera com a Moda "Morena Benzinho é Meu".  Para ver as fotos uma a uma, clique aqui.

O projeto mobilizou a transmissão de saberes associados ao modo de fazer e tocar os instrumentos musicais do Fandango Caiçara. Foram realizadas oficinas formativas, de caráter eminentemente prático, com bolsistas participando da construção dos instrumentos no Ateliê de Luteria da sede da Associação Mandicuera de Cultura Popular, na Ilha dos Valadares, em Paranaguá (PR).

A iniciativa contou com recursos de um convênio com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no projeto das Artesanias Caiçaras, e também de um projeto da Lei Municipal de incentivo a cultura de Paranaguá, no projeto chamado Lutheria Caiçara, junto à extinta Fundação Municipal de Cultura (Fumcul).

Neste vídeo a seguir, o Mestre Aorelio Domingues mostra o processo de fabricação dos instrumentos:


Os 55 instrumentos produzidos no projeto foram distribuídos a 16 grupos de fandango de Paranaguá e também de outras oito cidades do território caiçara: Antonina (PR), Guaraqueçaba (PR), Guaratuba (PR), Cananeia (SP), Iguape (SP), Paraty (RJ), Pontal do Paraná (PR) e Ubatuba (SP).

O Mestre Aorélio Domingues e diversos outros Mestres Fandangueiros continuam fabricando os intrumentos musicais do Fandango Caiçara e repassando as técnicas da fabricação. Tudo para que o Patrimônio Imaterial do Fandango Caiçara não se perca e continue animando e unindo a comunidade Caiçara. 

Com informações do Iphan.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

XVII Festa Nacional do Fandango Caiçara de Paranaguá: confira a programação

A Associação Mandicuera de Cultura Popular publicou a programação completa da XVII Festa Nacional do Fandango Caiçara de Paranaguá que acontecerá de 29 de outubro a 1º de novembro de 2026 na Praça 29 de Julho, no Centro Histórico de Paranaguá. A Mandicuera é responsável pela produção da Festa que, pela programação divulgada, tem tudo para ser a melhor e mais concorrida edição já realizada.
 
Imagem do site com o detalhamento da programação. Acesse aqui!

O evento terá vários debates ou "Círculos de Diálogos", como são chamados na programação. Esses Círculos contemplarão os eixos Território, Educação, Xiloteca, Música e Luteria. O Eixo Território, com o debate sobre Práticas e Políticas de Permanência: Comunidades Tradicionais Caiçaras em seu Território, será realizado no Museu Arqueológico e Etnográfico da Universidade Federal do Paraná (MAE-UFPR). Os demais Círculos de Diálogos serão todos na Sede da Associação Mandicuera, na Ilha dos Valadares.

As apresentações musicais e bailes começam na sexta-feira (30/10), com Marcelo Portella de Florianópolis, SC, que vai se apresentar ao meio dia, na Associação Mandicuera. A abertura oficial da Festa será às 14h30min na Praça 29 de Julho, com a apresentação da Orquestra Rabecônica do Brasil. Esta apresentação contará com a participação de alunos das escolas municipais e estaduais de Paranaguá que participaram das oficinas de Fandango.

Às 20 horas da sexta-feira (30/10), terá início o primeiro baile da Festa, com a animação dos seguintes grupos de Fandango pela ordem:
  • Fandangueiros do Prelado - Juréia, SP
  • Grupo Fandango Mestre Pedrinho - Ubatuba, SP
  • Violas de Ouro - Cananéia, SP
  • Grupo de Fandango Dona Mariquinha e As Fandangueiras - Paranaguá, PR, e Cananéia, SP
  • Mestre Zé Pereira e os Fandangueiros do Ariri - Ariri, SP
  • Fandanguará - Guaraqueçaba, PR
  • Grupo de Fandango Jovens da Juréia - Iguape, SP
  • Família Domingues e Pirão do Mesmo - Paranaguá e Ilha Rasa, PR
O sábado (31/10) começa com os Círculo de Diálogos no Eixo Luteria, que terá um "Café Intiruma na sede da Associação Mandicuera, e a Roda de Conversa com Mestres Construtores dos instrumentos do Fandango.

As apresentações de Fandango Caiçara começam às 12h30min na Praça 29 de Julho com:
  • Grupo de Fandango Caiçara Marola - Superagui, PR
  • Grupo Fandango Caiçara de Ubatuba SP
  • Alunos do Projeto Amanhece - Apresentação das oficinas de dança e música
  • Alunos do Projeto Festa do Fandango
Às 20h de sábado, começa o segundo Baile de Fandango da Festa com a animação de:
  • Grupo Fandango do Rocio - Iguape, SP
  • Grupo de Fandango Caiçara Mestre Eugênio - Ilha dos Valadares, Paranaguá - PR
  • Grupo Manema - Juréia, SP
  • Grupo Mandicuera - Ilha dos Valadares, Paranaguá - PR
  • Grupo Mucunã - Paranaguá, PR
  • Grupo de Fandango Caiçara Bacurau - Ubatuba, SP
  • Grupo de Ciranda Nova Esperança - Paraty, RJ
  • Mandipuva - Ilha dos Valadares, PR
  • Grupo de Fandango Caiçara Canto da Viola - Cananéia, SP
No domingo (1°/11) o Fandango Caiçara continua com apresentações Praça 29 de Julho começando às 13h com:
  • Grupo Raízes Fandangueiras - Superagui, PR
  • Grupo de Fandango Caiçara Chamarrita do Pontal - Itapoá, SC
Às 15h, começa a mostra de Cinema Caiçara com dois filmes de Mariana Zanette: "Mar e Fé" e "Lendas do Mar de Lá“.

Às 16h será apresentado um espetáculo de teatro para crianças: "Manguerejo", com Rogério Soares.

Às 17h retorna a mostra de Cinema Caiçara com os filmes "Maré Baixa Som Alto", de Luma Zanette e Felipe Orlandino e encerra com "O Menino que Virou Mestre", de Giovane Negromonte.

Para fechar a festa a partir das 18h, haverá a apresentação de Fandango Caiçara com o Mestre Zeca e Grupo Viola Afinada.

UFA! Haja fôlego!

São mais de 20 grupos de Fandango Caiçara de quatro Estados: Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Várias iniciativas educativas e de Salvaguarda da Cultura Caiçara. E ainda nem falamos da culinária, pois a festa também vai contar com a Feira da Ilha dos Paladares.

Os visitantes poderão desfrutar, no mesmo local da festa, na Praça 29 de Julho, diversos pratos da gastronomia Caiçara como o Peixe Seco, a Feijoada de Cambira, o Barreado, a Ostra e os Bolinhos de Peixe, além de bebidas típicas como a Mãe Cá Filha e a Cataia.

A Feira da Ilha dos Paladares abre na sexta-feira, às 14 horas; no sábado e domingo, ao meio dia, ficando aberta até o fim dos bailes e apresentações.

Não dá pra perder!

domingo, 13 de setembro de 2026

Fandango Caiçara para ouvir e ver nas plataformas de áudio e vídeo

Com a popularização das plataformas de streaming de música e vídeo, o Fandango Caiçara também começou a utilizar esses canais para a divulgação do jeito Caiçara de fazer música. Vários grupos já estão presentes nesses espaços virtuais disponibilizando as gravações das Modas, algumas inclusive com vídeo clips bem produzidos.

Hoje em dia já é possível encontrar e ouvir grupos de Fandango no Spotify e no Deezer. Alguns deles integram coletâneas e outros têm inclusive álbuns inteiros disponíveis para audição.

Incorporamos a seguir alguns álbuns disponíveis no Deezer:


Sobre o álbum acima, escrevi um texto por ocasião do lançamento em 2017. Na minha opinião, foi um marco para o Fandango, pela qualidade de som, da produção e tudo mais! Modernizou o som do Fandango sem fazer nenhum concessão, preservando a tradição Caiçara. Confira no link a seguir:


Já no Spotify, encontrei uma Lista (Play List) feita por Gabriel Chimite (que eu não conheço). A Lista agrega a gravação de 88 modas do Fandango Caiçara. 


Da mesma forma, no YouTube, uma busca pelo termo "Fandango Caiçara" revela uma longa lista de vídeos com cenas de bailes, documentários bem produzidos e vídeo clips com enredo e produção bem cuidada. 

Vou começar com um vídeo que considero histórico (pelo menos para mim) do Grupo Mandicuera tocando a "Moda do Bicho Grilo":


Esse vídeo acima já está publicado há 16 anos, o que é muito tempo, considerando a evolução tecnológica e as constantes mudanças na internet em si. Aqui, a produção da Mariana Zanette fez toda a diferença.

Abaixo, você pode conferir uma Moda recente, também do Grupo Mandicuera que se chama "Medo da Onça", também com o produção da Mariana Zanette e grande elenco... hehehehe. Essa é especial para mim, pois algumas cenas foram gravadas em nossa casa. 


Para finalizar, temos um breve documentário da sensacional Lia Marchi. Ela é produtora, professora e  cineasta. Tem um excelente trabalho dedicado à Cultura Popular do Paraná com várias obras dedicadas ao Fandango. 

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Boi de Mamão da Mandicuera na abertura da VIII Festa do Fandango de Paranaguá em 2017

A VIII Festa do Fandango de Paranaguá foi realizada nos dias 18 e 19 e 20 de agosto de 2017 na Praça Cyro Abalém, na Ilha dos Valadares, em Paranaguá. Mas, como é de costume, as atividades da Festa começaram alguns dias antes da abertura oficial, que foi no dia 18. Essas atividades paralelas incluíram ações em escolas e debates sobre a Cultura e o universo Caiçara.

Na abertura da Festa, a Associação Mandicuera de Cultura Popular fez uma apresentação do Auto do Boi de Mamão. Essas são as fotos que eu fiz dessa apresentação.


O áudio é do álbum Viva o Boi de Mamão do Grupo Mandicuera. A moda é Doutor.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Acervo de fotos da Arte e da Cultura Caiçara: Barreado

O Barreado é um dos maiores símbolos da Culinária Caiçara e da identidade cultural do Litoral do Paraná, com séculos de história em conjunto com o Fandango Caiçara.

Essas fotos são de 2015 e 2016, com a Diva Mariana Zanette preparando a panela que fica cozinhando por 24 horas no fogão à lenha.


O áudio é moda de Fandango "Meu Cuitelinho Avoou" na interpretação do Grupo Mandicuera.

domingo, 6 de setembro de 2026

Acervo de fotos da Arte e da Cultura Caiçara: o começo

Desde que nos mudamos para o Litoral do Paraná, em 2014, eu tenho me dedicado a fotografar a Arte e a Cultura Popular Caiçara. Esse não é meu único tema de interesse, mas acabou se tornando o principal por diversos motivos. 
 
A foto acima eu fiz em Janeiro de 2014. Foi o meu primeiro contato com a Associação
Mandicuera, poucas semanas depois de ter me mudado para Paranaguá.

Naquela época (2014 e 2015), eu estava nos primeiros passos nesse ofício de fotografar. Logo que cheguei a Paranaguá desenvolvi um grande projeto fotográfico que resultou na exposição Outro Porto, que foi a minha primeira individual. Essa história eu também planejo recontar, mas outro dia. Também sempre me cativaram as paisagens marítimas, tão fartas e deslumbrantes nesse cantinho do mundo. Essas imagens também vão aparecer por aqui.

A máquina fotográfica e as lentes que eu tinha há 12 anos eram bem inferiores comparadas ao meu equipamento atual. Mas, os registros ficaram. Consegui guardar os arquivos originais (RAW) de quase tudo que registrei nesses mais de 12 anos. Digo "quase" porque boa parte dos arquivos de 2014 estão corrompidos. Mas estou no processo de ver o que vale a pena tentar recuperar.

Enfim. De lá pra cá, os programas de tratamento (revelação) de fotos evoluíram bastante. Por isso, estou refazendo o tratamento desses arquivos, o que está resultando em versões melhoradas das fotos que fiz nesses 12 anos. Sempre há como melhorar alguma coisa. 

Entrando em 2015, já no Carnaval, a Associação Mandicuera de Cultura Popular fez uma apresentação do Boi de Mamão no Mercado do Café, no Centro Histórico de Paranaguá. Um dia antes, em 16 de fevereiro, houve um ensaio do Boi na sede da Associação Mandicuera, junto à Capela.

Veja, a seguir, uma apresentação com fotos do ensaio.


O áudio é do álbum Viva o Boi de Mamão do Grupo Mandicuera. A moda é Pai Mateus.  


Veja, a seguir, as fotos do Boi de Mamão da Mandicuera no Mercado do Café: 


O áudio é do álbum Viva o Boi de Mamão do Grupo Mandicuera. A moda é Sericó/Chico. 



segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Baile de Fandango Caiçara neste sábado, 29/08, na Associação Mandicuera


Venha bailar com os grupos Mandicuera, Mestre Eugênio e Dona Mariquinha. Dia 29 de agosto das 21h às 0h.

Vai ter cataia, mãe cáfilha, bolinho de raia, bolinho de de barreado, cuzcuz, café com cará e bolo assado.

Onde: Espaço Cultural Casa Mestre Aorelio.

ÁS 20h sai a Van " A cultura da Mata Atlântica" do Estacionamento do Mercado do Café .

Os 13 primeiros que compartilharem a postagem e confirmarem a presença no post terão direito a carona amiga.

Obs: A van retorna a Paranguá após o término do baile.

Quem vem?

Quem compartilhar e fazer um vídeo dançando ou tocando fandango ganha um prêmio especial, que vai ser revelado e entregue somente no baile.

Estas apresentações fazem parte do projeto Amanhece projeto de continuação e manutenção para a salvaguarda da cultura caiçara.

A Produção é da Associação de Cultura Popular Mandicuera.

Realização do Ministérios da Cultura através da Fundação Biblioteca Nacional 06/2025.



quinta-feira, 7 de março de 2019

Rádio Fandango

As crianças do Grupo Mestre Eugênio.


O Fandango Caiçara, patrimônio imaterial nacional reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), finalmente vai ter um programa de rádio em Paranaguá. É sério, gente! O ritmo típico local, que leva multidões aos bailes, que tem mais de 300 anos de tradição, nunca teve um programa a ele dedicado. Se teve, por favor me corrijam.

E não só que nunca teve um programa, é pior. As rádios ignoram solenemente a existência do ritmo Caiçara. Não dá para entender. É uma música alegre, que faz parte da vida da cidade. Não se trata de fazer folclore ou manter uma tradição. É bom e pronto. As rádios estão perdendo dinheiro e audiência insistindo no sertanejo universitário, que pouco tem a ver com a vida das pessoas daqui.

E para quem acha que só há as modas antigas, de domínio público, precisa se atualizar. O Aorélio Domingues, o Cleiton Prado e outros mestres têm composto modas novas, falando da vida dos pescadores e do povo caiçara em geral. Quem não presta atenção a isso está perdendo o trem da história.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Fandango no Marujá

A localidade do Marujá fica na Ilha do Cardoso, litoral sul de São Paulo, na divisa com o Paraná. Além do turismo e da pesca, a bela localidade conta com uma cena de Fandango Caiçara. E esta comunidade vai promover nos dias 25, 26 e 27 de janeiro o 1º Encontro de Fandango Caiçara do Marujá.

Haverá um barco saindo de Paranaguá no dia 25 pela manhã, rumo a este encontro. O mesmo barco retorna no domingo, dia 27. O custo da viagem é de R$ 50 por pessoa e ainda há vagas. A hospedagem é por conta de cada um, e ainda há lugares disponíveis nas pousadas, além de Camping para os mais aventureiros.

A festa será realizada pelo grupo de Fandango Família Neves e contará com a presença de grupos de fandango das cidades de Guaraqueçaba (PR), Cananeia, Iguape, Peruíbe e Ubatuba (SP). De Paranaguá participarão os grupos Mandicuera e Família Domingues.

É uma oportunidade única de conhecer um lugar de natureza exuberante e curtir um bom fandango caiçara. Só a viagem de barco já é uma experiência inesquecível, pois ele segue por dentro da Baía de Paranaguá passando pela Baía dos Pinheiros, Canal do Varadouro até chegar à Ilha do Cardoso. Com sorte, pode haver avistamento de guarás e botos, entre outras espécies que vivem nestas águas e florestas.

Para quem quiser participar, o contato para a reserva do barco é com o Edvaldo, Whatsapp 41 98773-9587. Recomendo que reserve logo, tanto o barco como a hospedagem.

Confira o evento no Facebook, clique aqui. 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Bota fora 18! O último baile de Fandango Caiçara do ano em Paranaguá!

O calor chegou! 2018 tá nas últimas! 

Vamos retomar o Balanço da Canoa para falar das melhores coisas do verão no Litoral. 

E neste sábado (22) tem baile de Fandango Caiçara em Paranaguá. Que por sinal, é o último do ano. Depois, só no Carnaval! 

AMANHEEEEEEEEECE!

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Baile de Fandango com o Grupo Mandicuera


Neste sábado, 13 de janeiro, o Grupo Mandicuera anima o Baile de Fandango Caiçara na Casa do Fandango Mestre Eugênio, que fica no Bairro Sete de Setembro, Ilha dos Valadares, Paranaguá. O Baile começa às 22 horas e a entrada é grátis. Amanhece!

A festa contará com a participação do Grupo Mirim Mestre Eugênio, formado por crianças da comunidade local que fazem apresentação do “Batido”, dança do fandango em que os participantes marcam o ritmo com tamancas de madeira batidas no tablado do Baile.

A Casa do Fandango Mestre Eugênio é um espaço cultural criado pelo próprio mestre ainda em vida, há mais de 15 anos. Hoje é administrado pelos seus descendentes e recebe bailes e ensaios de Fandango. É um espaço alternativo que os fandangueiros viabilizaram enquanto a prometida Casa do Fandango que acolha todos os grupos não sai do papel.

O Baile de Sábado também busca preencher uma lacuna no calendário municipal, uma vez que os bailes públicos no Mercado do Café só voltam no Carnaval, e depois param novamente na quaresma.

Não dá para esperar tanto tempo.

Serviço: Baile de Fandango Caiçara
Animação: Grupo Mandicuera, participação do Grupo Mirim Mestre Eugênio.
Sábado, 13 de janeiro, 22 horas.
Local: Casa do Fandango Mestre Eugênio, Rua 28, Bairro Sete de Setembro, Ilha dos Valadares, Paranaguá.
Entrada grátis.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Mandicuera leva Fandango Caiçara e Folia do Divino Paraná adentro

Serão nove apresentações em sete cidades


Foto de Daniel Castellano.
A Associação Mandicuera de Cultura Popular dá início neste sábado (25) a um grande giro pelo Estado do Paraná para divulgar o Fandango Caiçara e as Folias do Divino Espirito Santo. Serão cinco apresentações de Fandango nas cidades de Umuarama, Ponta Grossa, Guarapuava, Pato Branco e Curitiba. E mais três apresentações da Folia do Divino, em conjunto com a Folia de Guaratuba, nas cidades de Londrina, Ponta Grossa e Curitiba.

As apresentações pelo interior e capital foram viabilizadas pelo Prêmio Arte Paraná, da Secretaria de Cultura do Governo do Estado.

Nas apresentações de Fandango, Mestre Aorélio Domingues e o Grupo Mandiuera divulgarão o recém lançado CD “Amanhece – Fandango Caiçara”. Quem conhece o trabalho do Mestre Aorélio sabe que não se trata de “fazer folclore" ou de "resgatar" tradições antigas. Para eles, e para o público fiel desse gênero musical, o Fandango (ainda) não é atração de museu.

No CD Amanhece foram registradas modas tradicionais, de domínio público; mas também há modas atuais compostas por Aorélio em parcerias diversas; reforçando a vitalidade do ritmo. Há no disco também o registro de outras manifestações da Cultura Caiçara, como o Boi de Mamão e a Folia do Divino Espírito Santo.

Aorélio não recria nem reinventa o Fandango. Não há misturas mirabolantes com outros ritmos. Não é samba-rock ou manguebeat, é Fandango. Mas é novo.

Ouvindo o CD é possível perceber que "a novidade" pode ter mais de 500 anos e continuar relevante. O Fandango é um dos ritmos mais antigos do Brasil, não é por acaso que ele continua vivo.

Nas Folias do Divino Espírito Santo, as apresentações serão conjuntas da Folia de Paranaguá com a Folia de Guaratuba. Ambas têm tradição de mais de dois séculos e fazem anualmente a Romaria do Divino por todo o litoral do Paraná. Foram passadas oralmente de geração em geração até os dias atuais e possuem a musicalidade própria do povo Caiçara, preservando características medievais, que as diferem do restante do Brasil.


 As Folias do Litoral do Paraná são formadas por três vozes: Tenor, Mestre e Tipe. Os instrumentos tocados são a viola, a caixa e a rabeca. Na equipe da folia há também dois Alferes que carregam as bandeiras do Espírito Santo e da Trindade. Os versos das músicas são improvisados e cada música varia de 5 a 30 minutos, dependendo do improviso do Mestre.

A Folia de Guaratuba vem sendo organizada há mais de 250 anos pelas mesmas famílias. Acontece todos os anos iniciando depois da Páscoa até o mês de julho, quando acontece a Festa do Divino da cidade. A bandeira é levada pelos foliões de casa em casa onde cantam e tocam em louvor ao Divino. A bandeira percorre a comunidade caiçara da região de Guaratuba, Garuva (SC), Matinhos e Colônias de Paranaguá.

A Folia de Paranaguá também remonta há mais de 200 anos, e conta atualmente com a condução do Mestre Aorélio Domingues. Ele vem agregando diversos foliões através da Orquestra Rabecônica do Brasil e de ações da Associação Mandicuera de Cultura Popular dentro das comunidades. A folia de Paranaguá sai logo após a Páscoa da Ilha dos Valadares e percorre as baías de Paranaguá, Guaraqueçaba e Cananéia, além de Antonina e Curitiba.

A ideia de unir as bandeiras em apresentação conjunta surgiu no primeiro encontro na Festa do Fandango em Guaraqueçaba no ano de 2008. As bandeiras se encontraram novamente em 2013 na Festa do Divino da Ilha dos Valadares.

Expectativa

Para o Mestre Aorélio, a expectativa com essa viagem é ajudar o povo paranaense a conhecer uma parte importante da cultura de seu próprio Estado. "O Paraná é muito divido culturalmente. O Sul Gaúcho, o Centro e o Norte Caipira e o Litoral Caiçara; nosso Estado tem essas divisões bem marcadas da Cultura Brasileira, então é difícil que o Fandango seja o ritmo de todo o Estado do Paraná.”

“O Fandango já esteve presente e forte no Oeste, nos Campos Gerais, na Capital, mas com o passar do tempo, com a vinda de outros povos, restringiu-se ao Litoral. Então a expectativa é que os paranaenses possam conhecer uma faceta da cultura tradicional do nosso Estado; pois, por causa da diversidade cultural, nosso povo tem dificuldade de reconhecer sua própria cultura”, Concluiu.

Confira as datas e locais das apresentações: 

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Mandicuera anima o baile de Fandango neste sábado no Mercado do Café

Foto de Daniel Castellano.

O Grupo Mandicuera retorna ao Mercado do Café no Centro Histórico de Paranaguá para animar o baile neste sábado com o seu “Fandango Pancada”. A festa tem entrada gratuita, começando as 10 da noite e seguindo até a fim da madrugada. Amanhece!

Para quem quiser levar o fandango pra casa, estará à venda o CD do Mestre Aorélio Domingues, “Amanhece – Fandango Pancada”, laçado recentemente e muito elogiado pelos apreciadores do ritmo caiçara.

Pra completar a festa, os restaurantes do Mercado do Café abrem as portas servindo cerveja gelada, cataia e a tradicional “Mãe ca Filha”, bebida típica do Fandando; além de porções de petiscos, frutos do mar e lanches.

O baile é público, promovido pela Secretaria de Cultura e Turismo do Município de Paranaguá. Não perca!

Serviço: Baile de Fandango com o Grupo Mandicuera.
Quando: Sábado, 02 de setembro, 22 horas
Local: Mercado Municipal do Café, Ladeira Vinte e Nove de Julho - Centro Histórico, Paranaguá.
Entrada grátis.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Aorélio Domingues lança o CD “Amanhece – Fandango Pancada” e projeta o ritmo caiçara para o futuro



Quem conhece o trabalho do Mestre Aorélio Domingues e da Associação Mandicuera de Cultura Popular sabe que não se trata de “fazer folclore" ou de "resgatar" tradições antigas. Para eles, e para o público fiel desse gênero musical, o fandango (ainda) não é atração de museu.

Talvez seja por isso que o CD “Amanhece – Fandango Pancada” que Aorélio está lançando é tão surpreendente, mesmo para quem acompanha os grupos de Fandango e frequenta os bailes em Paranaguá e na região.



A vitalidade de modas com temáticas atuais, compostas por Aorélio e parceiros, atestam a importância do ritmo caiçara; sem causar estranheza ou discrepância ante as modas tradicionais, de domínio público.

No CD, Aorélio não recria nem reinventa o Fandango. Não há misturas mirabolantes com outros ritmos. Não é samba-rock ou manguebeat, é Fandango. Mas é novo.

Talvez isso seja difícil de entender, pois vivemos na era das novidades vazias. Tudo tem que ser novo o tempo todo, e tudo envelhece com uma velocidade estonteante, que nem temos tempo de acompanhar ou de usufruir.

Ouvindo “Amanhece – Fandango Pancada” é possível perceber que "a novidade" pode ter mais de 500 anos e continuar relevante. O Fandango é um dos ritmos mais antigos do Brasil, não é por acaso que ele continua vivo. Longa vida ao Fandango!

Só pra não perder a viagem, vale registrar que enquanto a prefeitura de Paranaguá promove shows com Luan Santana, Leonardo, Thaeme e Tiago, o CD Amanhece foi viabilizado com recursos da Lei de Incentivo à Cultura... de Curitiba!

O CD será lançado em Curitiba no próximo dia 12/08 e em Paranaguá no dia 19/08 na 8a Festa do Fandango. Reproduzo abaixo o release do lançamento. O texto é da produção do CD. As fotos são do Daniel Castellano.

sábado, 24 de junho de 2017

Uma viola caiçara e uma tainha recheada (de polêmica)

Fiquei quase um mês sem escrever aqui no blog... Tanta coisa acontecendo e, às vezes, parece que é melhor calar pra não engasgar, né? Mas, me pediram para escrever sobre a polêmica em torno do show do Luan Santana na abertura da Festa da Tainha, então lá vai... 




Li dia desses que a banda Charlie Brown Jr. foi atração de uma Festa da Tainha quando Mario Roque era vivo e ocupava o posto de prefeito da nossa Paris (naguá). O também falecido Chorão (cantor) teria homenageado o pai do Marcelo e do Marquinhos falando que um prefeito chamado “Roque” era perfeito pro "Rock", algo assim… Depois que publiquei o texto, Abdul Assaf me corrigiu dizendo que a banda nesse episódio foi a Tijuana ... aquela de "Tropa de elite", enfim. 

Pensei que trazer shows de grande projeção com artistas populares é meio que uma tradição. Vim morar aqui já sob a gestão do Dr. Edison, e teve Thiaguinho e também aquela mineira… Paula Fernandes. Alguns nomes parecem pobres vistos sob a luz do tempo, mas no momento em que vieram eram “top”; ou seja, era o que havia de maior sucesso no Faustão ou Gugu, Glu Glu… (sei lá).

Mas eu não sou contra, não vejo problemas em se trazer o Luan Santana pra tocar de graça na praça. Só ontem entendi que o outro show que está planejado (e pago de graça) é do Leonardo, “aquele, irmão do falecido Leandro...” aaaaahhhhhh, bão, “bão tamém!”

Tamém não vejo problema em se presentear cada um desses caras com uma viola do Fandango, muito pelo contrário. O problema é: por que diabos não tem um grupo de fandango abrindo os shows desses caras, participando, fazendo jam, tocando junto? Enfim, por que diabos não tem uns mestres naquela foto pra dar uma viola e ensinar pro Luan Santana como se usa??? Aposto que ele ia gostar.

Quando o Marcos Maranhão trouxe a banda Deltas de Recife (PE) pra tocar no Heros (Bar do Celso) a nossa primeira reação foi levar os caras pra almoçar no dia seguinte na Associação Mandicuera. Os Deltas usam rabecas e mesclam música tradicional do nordeste com blues… Babaram com o sabor do Barreado e com o Zeca e o Aorélio mostrando o Fandango vivo! Pois é! Pois então!

Pois, prefeito, parece que seu falecido pai sabia que o Fandango não é uma tainha que se pesca em mar revolto; que se joga uma rede e puxa e vem cheia de tamancas, rabecas, adulfos, violas e, às vezes, pesca uns mestres velhinhos junto… Não, prefeito, não é! Fandango não é tainha que dá no mar da Ilha do Mel. Infelizmente.

Nem a cultura do povo se resolve com discurso. Tem que ter diálogo e disposição de fazer e investir. O retorno é garantido e o valor investido, garanto que será bem menos do que o “nada” que foi gasto pra trazer o Luan Santana e o Leonardo.

Não preciso nem falar que esses shows são pra lá de suspeitos… Estive em Eufrasina nessa sexta-feira (ô lugar bonito!) e já tá na boca do pessoal que esses shows são pagos a preço de sangue do povo… Ninguém é tão idiota a ponto de acreditar que algum empresário bonzinho pensou que tava com dinheiro demais e resolveu “doar” esses… sei lá… quatrocentos mil reais para os bagrinhos curtirem com tainha e cataia.

Diferente da maioria da população, eu não sou contra usar dinheiro público para bancar shows ou eventos assim. A alegria do povo não tem preço.

O que eu sou contra é a mentira, a desfaçatez, e o ódio gratuito que essa gestão alimenta. Isso, ninguém merece. Ninguém quer.

Ninguém engole essa tainha a seco!

Veja o que o Aorélio Domingues, mestre fandangueiro, diz sobre essa polêmica. 

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Mandicuera realiza a Festa do Divino Espírito Santo na Ilha de Superagui



Para encerrar a Romaria do Divino Espírito Santo, a Associação Mandicuera de Cultura Popular, em conjunto com a comunidade da Ilha De Superagui, realizará nos dias 03 e 04 de junho a Festa do Divino Espírito Santo. Vinde!

A tradição das Bandeiras do Divino Espírito Santo surgiu em Alenquer, Portugal, por volta de 1320, e foi trazida para o Brasil pelos imigrantes portugueses. No litoral do Paraná, essa tradição é preservada pela Associação Mandicuera e também por grupos de Guaratuba.

A Romaria realizada todos os anos pela Associação Mandicuera percorre dezenas de comunidades da Baía de Paranaguá e Guaraqueçaba, durando cerca de 50 dias. A Celebração em Superagui representa o encerramento da Romaria.

Na festa em Superagui, além da celebração religiosa, haverá um baile de Fandango Caiçara com o Grupo Mandicuera (Paranaguá), Grupo Raiz (Superagui) e Manema (Iguape - SP). Os visitantes também poderão apreciar as delícias da culinária caiçara, farta em frutos do mar, sem falar nas belezas da Ilha de Superagui, muito apreciada pelos turistas.

Durante o Baile de Fandango, haverá o pré-lançamento o CD Amanhece, do Mestre Aorélio Domingues, da Associação Mandicuera.

Confira a programação completa do final de semana em Superagui:

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Cineasta Lia Marchi registra os toques de mestres do Fandango

Lançamento das videoaulas será no Mercado do Café em Paranaguá com a presença dos mestres e da cineasta e pesquisadora



“Registros de Toques de Mestres do Fandango” é o mais novo projeto da pesquisadora e cineasta Lia Marchi, que será lançado no próximo sábado (17), às 20h, no Mercado do Café, em Paranaguá.  Os mestres fandangueiros de Paranaguá-PR dividem seus saberes e protagonizam quatro videoaulas de 40 minutos em média.

Durante o lançamento, serão exibidos trechos das aulas de viola e rabeca. Em seguida, acontece bate-papo com os mestres e a diretora Lia Marchi. Logo depois, às 22h, haverá Baile de Fandango, também no Mercado.

Mestre Brasílio Santos Ferres - Foto:  Guilherme Romanelli

Nas videoaulas, os mestres Brasílio Santos Ferres, Waldemar Barbosa Cordeiro e José Martins Filho (Zeca) tocam seus repertórios de viola e comentam os toques. O mestre Zeca dá uma aula de rabeca.

Mestre Zeca e Lia Marchi - Foto: Guilherme Romanelli

“Os três representam a tradição do fandango com maestria. Toda uma vida de bailes nas suas comunidades e inúmeras apresentações nos grupos de fandango dos dias atuais fizeram destes mestres nomes reconhecidos como a nata desta cultura. Um privilégio ouvi-los, aprender com seus toques e suas histórias”, comenta a diretora Lia Marchi.

Com este projeto, além da preservação da tradição, disponibiliza-se, tanto para quem está em Paranaguá como em outras localidades, ferramentas gratuitas de estudo.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Orquestra Rabecônica em Curitiba

Não costumo falar de eventos em Curitiba aqui no Balanço da Canoa, mas este tem um significado especial. Leia o que diz o convite para o espetáculo: 
Formada pela maioria de músicos genuinamente caiçaras do litoral paranaense, a singular Orquestra Rabecônica do Brasil fará dois concertos didáticos gratuitos na segunda-feira, 20 de junho de 2016, às 14h30 e 16h no Guairinha. Confira o evento no Facebook.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Fandango Caiçara Resiste, MinC Resiste!



O Movimento MinC Resiste publicou neste domingo (29/05/15) um Manifesto assinado pelo Comitê Provisório de Salvaguarda do Fandango Caiçara e seus apoiadores em repúdio ao governo interino golpista de Michel Temer (PMDB).

O movimento é formado por artistas, intelectuais e militantes da cultura e das artes e surgiu imediatamente após a posse de Temer. Eles estão promovendo diversas atividades a partir de ocupações de espaços públicos da Cultura como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Curitiba.

A Associação Mandicuera também manifestou em seu site ser contrária ao governo do interino golpista Temer e ser contra o desmonte que este governo está fazendo da Cultura e de outros setores fundamentais para o povo brasileiro.

Mesmo com o recuo do governo interino em acabar com o Ministério da Cultura, vitória da pressão dos movimentos e dos artistas, as ocupações continuam. Os manifestantes entendem que este governo é ilegítimo, fruto de um golpe, e deve terminar imediatamente.

Leia a seguir o Manifesto:



Cultura Caiçara Resiste

O Fandango, expressão cultural das comunidades caiçaras, reconhecido como patrimônio cultural brasileiro, cuja área de ocorrência abrange desde o litoral sul do Rio de Janeiro ao litoral norte do estado do Paraná, aqui representado pelo Comitê Provisório de Salvaguarda do Fandango Caiçara e seus apoiadores, manifesta-se contrário ao Governo Federal interino ilegítimo e anuncia o rompimento do diálogo com as instituições que o representam, tendo em vista o desmonte das políticas públicas voltadas para a cultura.

O Fandango, enraizado no cotidiano das comunidades caiçaras, envolve um conjunto de práticas que ultrapassam o trabalho, o divertimento, a religiosidade e a musicalidade, atuando diretamente na afirmação de identidades e padrões de sociabilidade local. Apesar da riqueza cultural de suas práticas, estas comunidades foram historicamente submetidas a processos de exclusão social e política, fatores determinantes na perda progressiva de seus territórios e de seu modo de vida.

Apesar dos processos sofridos, as comunidades tem mostrando-se capazes de manter vivas suas dinâmicas culturais, em particular o Fandango e bens associados como: a Ciranda, a canoa caiçara, os sistemas tradicionais de pesca artesanal, as Folias de Reis e do Divino, entre outras. Ações fortalecidas pelo reconhecimento do Fandango Caiçara como Patrimônio da Cultura Imaterial brasileira. A consolidação deste processo de base participativa e popular, é desconsiderada e desmobilizada pela corrente agenda do governo interino, deste modo, alertamos ao retrocesso estrutural ao qual estamos expostos neste momento.

A produção, a circulação e a fruição da Cultura são direitos garantidos pela constituição, resistimos e seguimos na luta.
- Pela continuidade das ações inerentes ao decreto 3551/2000, que institui o Programa Nacional de Patrimônio Imaterial (PNPI);
- Em defesa das políticas públicas de, para e com as culturas populares e dos espaços de participação popular direta e controle social;
- Pelo Sistema e pelo Plano Nacional de Cultura;
- Pela liberdade de expressão.

#CulturaCaiçaraResiste #CulturaResiste #ForaTemer #Amanhece

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Seleção de aprendizes para fabricação de instrumentos do Fandango


O projeto Artesanias Caiçaras, que trabalha a sustentabilidade do Fandango através da construção de instrumentos musicais, está selecionando oito aprendizes que serão bolsistas no projeto.

A iniciativa é da Associação Mandicuera, realizada a partir do Edital de Chamamento Público n° 03/2014 de Apoio e Fomento à Salvaguarda de Bens Registrados como Patrimônio Cultural do Brasil, e viabilizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Trata-se do ensino, aprendizagem e difusão da construção de instrumentos musicais caiçaras (viola, rabeca, adufe), bem como do universo sócio-ambiental e cultural a eles relacionados. O (a) novo (a) contratado (a) deverá atuar entre os meses de junho de 2016 a fevereiro de 2017.

Aos bolsistas selecionados deverão participar das oficinas (realizadas em Paranaguá), da construção dos instrumentos, viagens de campo e demais atividades vinculadas ao projeto.

A seleção sera realizada entre os dias 17 e 23 de maio, e é aberta a toda a comunidade e irá considerar, entre outros pontos, vivências com o fandango e com a cultura caiçara. Os oito aprendizes selecionados também receberão bolsas para auxiliar com transporte e alimentação.