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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Acervo da Cultura Caiçara: A Lutheria do Fandango

Quem tem o mínimo de familiaridade com o Fandango Caiçara sabe que os instrumentos musicais são diferentes daqueles usados na grande maioria da música popular ou erudita. A Viola Caiçara, o Machete e o Adulfo são usados quase que exclusivamente no Fandango. A Rabeca e a Caixa também aparecem em outras manifestações; ainda assim, não são fáceis de se encontrar no comércio tradicional de instrumentos musicais.

Por isso, a arte da fabricação desses instrumentos, a chamada Lutheria Caiçara, é tão importante para a Salvaguarda e a sobrevivência do Fandango.

Em 2016 (há 10 anos), eu tive a oportunidade de acompanhar e registrar um grande projeto de Lutheria Caiçara, que resultou na construção de mais de 50 instrumentos musicais do Fandango Caiçara.

Veja a seguir algumas fotos da construção dos instrumentos. No final do vídeo aparecem fotos da conclusão da parte municipal do projeto que resultou numa exposição com fotos feitas por mim (Ivanovick) e instrumentos novos, fabricados pelo projeto. 


O áudio é do Grupo Mandicuera com a Moda "Morena Benzinho é Meu".  Para ver as fotos uma a uma, clique aqui.

O projeto mobilizou a transmissão de saberes associados ao modo de fazer e tocar os instrumentos musicais do Fandango Caiçara. Foram realizadas oficinas formativas, de caráter eminentemente prático, com bolsistas participando da construção dos instrumentos no Ateliê de Luteria da sede da Associação Mandicuera de Cultura Popular, na Ilha dos Valadares, em Paranaguá (PR).

A iniciativa contou com recursos de um convênio com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no projeto das Artesanias Caiçaras, e também de um projeto da Lei Municipal de incentivo a cultura de Paranaguá, no projeto chamado Lutheria Caiçara, junto à extinta Fundação Municipal de Cultura (Fumcul).

Neste vídeo a seguir, o Mestre Aorelio Domingues mostra o processo de fabricação dos instrumentos:


Os 55 instrumentos produzidos no projeto foram distribuídos a 16 grupos de fandango de Paranaguá e também de outras oito cidades do território caiçara: Antonina (PR), Guaraqueçaba (PR), Guaratuba (PR), Cananeia (SP), Iguape (SP), Paraty (RJ), Pontal do Paraná (PR) e Ubatuba (SP).

O Mestre Aorélio Domingues e diversos outros Mestres Fandangueiros continuam fabricando os intrumentos musicais do Fandango Caiçara e repassando as técnicas da fabricação. Tudo para que o Patrimônio Imaterial do Fandango Caiçara não se perca e continue animando e unindo a comunidade Caiçara. 

Com informações do Iphan.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

XVII Festa Nacional do Fandango Caiçara de Paranaguá: confira a programação

A Associação Mandicuera de Cultura Popular publicou a programação completa da XVII Festa Nacional do Fandango Caiçara de Paranaguá que acontecerá de 29 de outubro a 1º de novembro de 2026 na Praça 29 de Julho, no Centro Histórico de Paranaguá. A Mandicuera é responsável pela produção da Festa que, pela programação divulgada, tem tudo para ser a melhor e mais concorrida edição já realizada.
 
Imagem do site com o detalhamento da programação. Acesse aqui!

O evento terá vários debates ou "Círculos de Diálogos", como são chamados na programação. Esses Círculos contemplarão os eixos Território, Educação, Xiloteca, Música e Luteria. O Eixo Território, com o debate sobre Práticas e Políticas de Permanência: Comunidades Tradicionais Caiçaras em seu Território, será realizado no Museu Arqueológico e Etnográfico da Universidade Federal do Paraná (MAE-UFPR). Os demais Círculos de Diálogos serão todos na Sede da Associação Mandicuera, na Ilha dos Valadares.

As apresentações musicais e bailes começam na sexta-feira (30/10), com Marcelo Portella de Florianópolis, SC, que vai se apresentar ao meio dia, na Associação Mandicuera. A abertura oficial da Festa será às 14h30min na Praça 29 de Julho, com a apresentação da Orquestra Rabecônica do Brasil. Esta apresentação contará com a participação de alunos das escolas municipais e estaduais de Paranaguá que participaram das oficinas de Fandango.

Às 20 horas da sexta-feira (30/10), terá início o primeiro baile da Festa, com a animação dos seguintes grupos de Fandango pela ordem:
  • Fandangueiros do Prelado - Juréia, SP
  • Grupo Fandango Mestre Pedrinho - Ubatuba, SP
  • Violas de Ouro - Cananéia, SP
  • Grupo de Fandango Dona Mariquinha e As Fandangueiras - Paranaguá, PR, e Cananéia, SP
  • Mestre Zé Pereira e os Fandangueiros do Ariri - Ariri, SP
  • Fandanguará - Guaraqueçaba, PR
  • Grupo de Fandango Jovens da Juréia - Iguape, SP
  • Família Domingues e Pirão do Mesmo - Paranaguá e Ilha Rasa, PR
O sábado (31/10) começa com os Círculo de Diálogos no Eixo Luteria, que terá um "Café Intiruma na sede da Associação Mandicuera, e a Roda de Conversa com Mestres Construtores dos instrumentos do Fandango.

As apresentações de Fandango Caiçara começam às 12h30min na Praça 29 de Julho com:
  • Grupo de Fandango Caiçara Marola - Superagui, PR
  • Grupo Fandango Caiçara de Ubatuba SP
  • Alunos do Projeto Amanhece - Apresentação das oficinas de dança e música
  • Alunos do Projeto Festa do Fandango
Às 20h de sábado, começa o segundo Baile de Fandango da Festa com a animação de:
  • Grupo Fandango do Rocio - Iguape, SP
  • Grupo de Fandango Caiçara Mestre Eugênio - Ilha dos Valadares, Paranaguá - PR
  • Grupo Manema - Juréia, SP
  • Grupo Mandicuera - Ilha dos Valadares, Paranaguá - PR
  • Grupo Mucunã - Paranaguá, PR
  • Grupo de Fandango Caiçara Bacurau - Ubatuba, SP
  • Grupo de Ciranda Nova Esperança - Paraty, RJ
  • Mandipuva - Ilha dos Valadares, PR
  • Grupo de Fandango Caiçara Canto da Viola - Cananéia, SP
No domingo (1°/11) o Fandango Caiçara continua com apresentações Praça 29 de Julho começando às 13h com:
  • Grupo Raízes Fandangueiras - Superagui, PR
  • Grupo de Fandango Caiçara Chamarrita do Pontal - Itapoá, SC
Às 15h, começa a mostra de Cinema Caiçara com dois filmes de Mariana Zanette: "Mar e Fé" e "Lendas do Mar de Lá“.

Às 16h será apresentado um espetáculo de teatro para crianças: "Manguerejo", com Rogério Soares.

Às 17h retorna a mostra de Cinema Caiçara com os filmes "Maré Baixa Som Alto", de Luma Zanette e Felipe Orlandino e encerra com "O Menino que Virou Mestre", de Giovane Negromonte.

Para fechar a festa a partir das 18h, haverá a apresentação de Fandango Caiçara com o Mestre Zeca e Grupo Viola Afinada.

UFA! Haja fôlego!

São mais de 20 grupos de Fandango Caiçara de quatro Estados: Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Várias iniciativas educativas e de Salvaguarda da Cultura Caiçara. E ainda nem falamos da culinária, pois a festa também vai contar com a Feira da Ilha dos Paladares.

Os visitantes poderão desfrutar, no mesmo local da festa, na Praça 29 de Julho, diversos pratos da gastronomia Caiçara como o Peixe Seco, a Feijoada de Cambira, o Barreado, a Ostra e os Bolinhos de Peixe, além de bebidas típicas como a Mãe Cá Filha e a Cataia.

A Feira da Ilha dos Paladares abre na sexta-feira, às 14 horas; no sábado e domingo, ao meio dia, ficando aberta até o fim dos bailes e apresentações.

Não dá pra perder!

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Vem aí a XVII Festa Nacional do Fandango Caiçara de Paranaguá: Veja as datas e os grupos confirmados


A XVII Festa Nacional do Fandango Caiçara de Paranaguá será de 30 de outubro a 1° de novembro de 2026, no Centro Histórico, do ladinho do Rio Itiberê.

A Produção da Festa divulgou a lista de Grupos Confirmados, para a festa. "Pensa numa lista sensacional."

Confira a seguir:
  • Show musical : Marcelo Portela
  • Orquestra Rabecônica do Brasil
  • Fandangueiros do Prelado
  • Grupo Fandango Mestre Pedrinho
  • Violas de Ouro
  • Grupo de Fandango Dona Mariquinha e As Fandangueiras
  • Mestre Zé Pereira e os Fandangueiros do Ariri
  • Fandanguará
  • Grupo de Fandango Jovens da Juréia
  • Família Domingues e Pirão do Mesmo
  • Grupo de Fandango Caiçara Marola
  • Grupo Fandango Caiçara de Ubatuba
  • Grupo Mucunã
  • Grupo de Fandango Caiçara Mestre Eugênio
  • Grupo Manema
  • Grupo Mandicuera
  • Grupo Fandango do Rocio
  • Grupo de Fandango Caiçara Bacurau
  • Mandipuva
  • Grupo de Fandango Caiçara Canto da Viola
  • Grupo Raízes Fandangueiras
  • Grupo de Fandango Caiçara Chamarrita do Pontal
  • Mestre Zeca e Grupo Viola Afinada
Salve a data e se prepare para os bailes mais animados do Território! 

Conselho Consultivo do Iphan revalida o Fandango Caiçara como Patrimônio Cultural do Brasil

O Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) iniciou a sua 114ª reunião nesta terça-feira (22/09/2026) e o primeiro ponto da pauta foi a proposta de revalidação do título de Patrimônio Imaterial do Fandango Caiçara. 

O Grupo de Fandango Mandicuera na XVI Festa do Fandango Caiçara de Paranaguá, em 2025. 

O processo de revalidação analisou a presente situação da salvaguarda do Bem Cultural, envolvendo técnicos do Iphan e integrantes das comunidades caiçaras dos estados do Paraná, São Paulo e Santa Catarina. 

Para entender melhor o processo de revalidação, a importância do título de Patrimônio Cultural Imaterial, bem como as ações de Salvaguarda do Fandango Caiçara, assista ao vídeo a seguir, com o trecho da reunião do Conselho Consultivo que aprovou a renovação do título. 


O título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil é um reconhecimento oficial concedido a práticas, saberes, celebrações e expressões artísticas que formam a identidade da sociedade brasileira. 

Em fevereiro deste ano (2026), a Assembleia Legislativa do Paraná aprovou em turno único, o Projeto de Lei 508/2025, de autoria da deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT), que reconhece a Festa Nacional do Fandango Caiçara de Paranaguá como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado e a inclui no calendário oficial de eventos.

Falando nisso, a XVII Festa do Fandango Caiçara de Paranaguá está chegando! Será de 27 de outubro a 1° de novembro de 2026 no Centro Histórico da Cidade Mãe do Paraná. Anote aí!

Com informações do Iphan e do Brasil de Fato. 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Acervo da Cultura Caiçara: A Casa do Fandango de Paranaguá que nunca existiu

Um pouco mais de dez anos atrás, em 2015, os Mestres Fandangueiros de Paranaguá e demais integrantes dos grupos de Fandango Caiçara se mobilizaram no intuito de viabilizar a existência de uma Casa do Fandango, que seria um Centro Cultural Caiçara, com espaço para bailes, ensaios, gravações, aulas, construção de instrumentos musicais, etc.

Os debates junto a gestores e gestoras municipais da Cultura apontavam para a necessidade dessa casa ser na Ilha dos Valadares, reduto de todos os grupos de Fandango parnaguaras. Havia quem defendesse que essa Casa ficasse no Centro Histórico de Paranaguá, onde seria mais acessível e teria maior apelo turístico e cultural. O ideal talvez seria que o espaço fosse junto à cabeceira da Passarela que liga a Ilha ao Centro da Cidade.

Naquele período, a Casa Dacheux estava recém-reformada e momentaneamente ociosa, e chegou a ser anunciada como a "Casa do Fandango". A Casa Dacheux fica próxima da Catedral, no mesmo largo em que estão as casas Monsenhor Celso e Brasílio Itiberê, ambas dedicadas à Cultura. Para coroar essa decisão, foi realizado no final de junho de 2015 um baile de Fandango no imóvel (fotos a seguir).

 

Apesar de muito bonita, a Casa tinha limitações de espaço para abrigar o Fandango. A ideia não prosperou e o Fandango continuou sem casa.

Em 2016, familiares do Saudoso Mestre Eugênio, em conjunto com a Associação Mandicuera, reabilitaram a Casa do Fandango Mestre Eugênio, que fica na Ilha dos Valadares. Neste local foram realizados diversos bailes e a casa continua ativa com ensaios de Fandango, da Escola de Samba União da Ilha e outras atividades artísticas e culturais.

 A Casa do Fandango Mestre Eugênio na Ilha dos Valadares - Paranaguá. 

Alguns anos depois, em 2019, a Associação Mandicuera de Cultura popular, que também é sediada na Ilha dos Valadares, conseguiu construir seu próprio salão para bailes e outras atividades culturais. A obra foi viabilizada com recursos da mitigação do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP). Em 2020, o Mestre Aorelio Domingues e demais integrantes da Associação Mandicuera finalizaram o Salão com a instalação de portas e janelas.

Na Sede da Associação Mandicuera também funciona uma oficina para construção dos instrumentos do Fandango e um estúdio de gravação chamado Papagaio Records, em que já foram realizados diversos registros do Grupo Mandicuera e outros. O Grupo de Fandango Dona Mariquinha, composto por Mulheres, e o Grupo Mandicuera têm o local como base.

Atualmente, a Associação Mandicuera é o único local que tem abrigado Bailes de Fandango com regularidade. O Mercado do Café, que recebia pelo menos dois bailes mensais há dez anos, hoje está praticamente ausente da cena local.

Aquela Casa do Fandango, que poderia centralizar e fomentar de forma concentrada as atividades da Cultura Caiçara, nunca chegou a se realizar. Mas o Fandango e a Cultura Caiçara sobrevivem com a força do povo que resiste e não se rende.

Paranaguá e o Litoral do Paraná como um todo abrigam diversos encantos naturais, culinários e, culturais. Reconhecer e investir no Fandango e nas Artes Caiçaras seria estratégico e fundamental para consolidar o Turismo, diminuindo a brutal sazonalidade de verão e criando atrativos que proporcionem circulação de turistas fora da temporada.

Nos últimos anos, o Governo do Estado e as Prefeituras vêm "investindo" dezenas (ou centenas?) de milhões de reais nos megashows musicais nas praias. Por mais que esses eventos atraiam multidões, eles deixam quase nenhum legado que contribua para o desenvolvimento cultural ou econômico.

Enquanto isso, os grupos de Fandango se desdobram competindo por recursos escassos em editais que só crescem em exigências e cobram um nível de profissionalismo da produção cultural que muitos não alcançam e acabam ficando de fora, independente da qualidade artística das suas produções.

Está mais do que na hora dos gestores públicos perceberem que o Fandango Caiçara é um tesouro, já reconhecido como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e esse tesouro tem enorme potencial de geração de emprego, renda, educação e desenvolvimento.

Mais fotos no Facebook e no Instagram do Balanço na Canoa. 

Se alguém tiver fatos a acrescentar ou correções para essa memória, fique à vontade para comentar e corrigir o que possa estar incorreto.